segunda-feira, outubro 17, 2016

Atlantic Station - um shopping ou uma experiência de varejo 5.0?

Atlanta, 2016*

Quando cheguei ao Atlantic Station em busca de uma loja em especial, fui surpreendido pelo o que é realmente esse empreendimento. A primeira impressão é de um modelo de shopping center/centro comercial nos moldes do Downtown - Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Uma área de comércio ao ar livre, com ruas, mais de 50 lojas de varejo, um enorme cinema e nas sobrelojas, escritórios das mais diversas empresas. Pronto, a semelhança com o Downtown acabou aqui.

O Atlantic Station é praticamente um bairro, com 1.400.000m2, que comporta não só a estrutura de lojas de varejo como Target, H&M, GAP, Dillards, West Elm, IKEA, Victoria’s Secret, Banana Republic, com uma ampla opção de alimentação, mas também é uma área residencial com parques, enormes prédios comerciais e hotel, garantindo o alto fluxo do local.



O que chama atenção quando percorria as ruas é o ambiente totalmente diferente da cidade de Atlanta.  A infra estrutura do local, suas sinalizações, o design das lojas, o entretenimento (além do cinema, o Atlantic Station ainda comporta uma exposição permanente do BODIES The Exhibition) eram combinadas com uma forte identidade musical - em todo o complexo tem música saindo de árvores, postes e bancas. Sensacional. Me fez lembrar da Disney (eu falei que a semelhança com o Downtown tinha acabado no primeiro parágrafo).
O local promove uma série de eventos para a comunidade, estimula o “fazer o Bem”, o envolvimento com animais de estimação e o estilo de vida outdoor saudável.



O dia ajudou. Estava com céu claro e uma temperatura boa. Mas caso chovesse era só passar no Concierge Service para retirar uma capa de chuva ou um guarda chuva.
  
Mesmo aberto, o ambiente todo está controlado e em sincronia e apesar de ter sido lançado em 2005, este empreendimento está extremamente atual, mostrando como o varejo moderno pode, e deve, se integrar com a vida das pessoas de maneira muito próxima.
De maneira pensada, evitei usar a palavra Experiência durante o texto. Justamente porque esse é o insight principal desta visita.






*À convite da Ipiranga, estou em Atlanta para acompanhar a NAC’s Show (maior congresso de lojas de conveniência e postos de combustíveis do mundo), que começa amanhã. 

segunda-feira, outubro 03, 2016

7 características de negócios que saíram da mesmice

O segredo do sucesso de qualquer negócio, mas especificamente o varejo, é criar um conceito que seja tão forte e único, que seus concorrentes não consigam replicar e de uma maneira que seus clientes enxerguem valores que o mantenham leais.

Embora cada operação tenha diferenças estratégicas, em um momento que a palavra “relevância” nunca foi tão importante e os consumidores estão mudando seus hábitos de compras, se espelhar em bons exemplos estratégicos pode servir como um bom direcionamento.

Separei 7 características que exemplificam operações que conseguiram se diferenciar no varejo, como uma provocação para cada um olhar o seu negócio de uma maneira contestadora e inconformada.

1 - Ter um posicionamento poderoso
Empresas com um posicionamento poderoso conseguem construir uma forte conexão com seus clientes. Eles têm uma oferta clara, uma identidade com seu público-alvo e uma proposta de valor muito bem estabelecida;

2 - Evolução da oferta
A oferta de produtos passa por uma análise criteriosa e evolui de forma a suportar seu posicionamento, incluindo o desenvolvimento de serviços complementares aos produtos ofertados.

A REI (Recreational Equipment, Inc) é uma loja com um propósito e um posicionamento muito bem definidos: Estimular um lifestyle outdoors. Este estímulo é feito para todos aqueles que se relacionam com a loja. Seja um funcionário, seja ele um cliente. A loja funciona em um modelo de cooperativa, onde os clientes associados recebem de volta periodicamente 10% do valor gasto em compras. Este talvez seja o benefício mais tangível da cultura REI. O estímulo à vida saudável está além de todo seu portfólio de produtos e nos detalhes dos serviços prestados tanto na loja como no digital. Os clientes podem realizar reparos em suas bicicletas e skis, além de agendarem aulas de bicicleta, corrida ou esportes de neve. A loja passa a ser curadora de lifestyle outdoors e as atividades são realizadas tanto dentro como fora da loja;



3 - Forte cultura e valores
É comum ver a oferta cair de nível com o passar do tempo. A forte cultura e valores dão energia e direção ao longo do anos para suportar o posicionamento e sua execução, amadurecendo o negócio;

4 - Execução com excelência
Executar com excelência não se restringe somente a montar uma gôndola bonita e mantê-la sem ruptura. A execução passa pelo perfeito controle do abastecimento, manipulação, exposição, reposição e treinamento da equipe de atendimento para que este atue com um papel mais amplo do que “se precisar de ajuda é só chamar”. A loja bem executada tangibiliza a proposta de valor da empresa, transformando a loja em uma curadora de produtos e serviços para os seus clientes.

Citar a Whole Foods pode parecer óbvio em qualquer indicador de boas práticas do varejo. Só se torna obvio por que eles sabem as respostas para nossas indagações. Para as mais diversas operações varejistas, construir uma empresa com os fortes valores culturais como a Whole Foods e executa-los com excelência e consistência é um grande desafio. Ao entrar em uma loja, procure saber mais sobre algum alimento em exposição e você terá toda orientação necessária para tirar o melhor proveito daquele item;

5 - Criação de experiência
O desenvolvimento de experiências memoráveis e surpreendentes no varejo é fundamental para empresas que procuram por diferenciação no mercado cada vez mais comoditizado.

A EchoPark Automotive no Colorado, EUA é uma loja de carros usados com uma proposta de transformar um modelo que tem a desconfiança do cliente e a falta de transparências nos serviços como fortes características do mercado. A empresa desenhou seu modelo de negócio baseado na experiência que a loja e seus funcionários criam para seus clientes. Todo o processo de avaliação dos automóveis é automatizado e transparente. O ambiente foi desenvolvido com foco no bem estar do cliente, fortalecendo o conceito do negócio “Todo carro merece um proprietário feliz”.



6 - Criar escala
Um modelo de varejo vencedor é aquele que consegue expandir sua atuação de maneira consistente, fortalecendo seu propósito de maneira financeiramente saudável e lucrativa;

7 - Responsabilidade social e com meio ambiente
O negócio que é estruturado pensando além de suas lojas consegue fortalecer sua marca e sua relação com a comunidade. As contrapartidas sociais e sua responsabilidade com o Meio Ambiente devem fazer parte de sua estratégia de atuação.

A Pret a Manger, uma rede com mais de 400 lojas, em 6 países, 9.000 funcionários e um faturamento com cerca de U$1 bilhão, tem em seu modelo de negócio a venda de produtos frescos e naturais em lojas estilo conveniência. Todos os produtos são elaborados no mesmo dia, sem data de validade. Aquilo que não for consumido no dia, é retirado das gôndolas e levado para uma central de distribuição destes alimentos para instituições de caridade. Na Pret A Manger, o consumidor ganha com a oferta de produtos sempre frescos e a comunidade ganha com a oportunidade de receber doações de alimentos de qualidade.



Esses 7 pontos fazem parte de uma metodologia batizada de “Saindo da Mesmice”, onde iniciamos a análise a partir da proposta de valor e posicionamento da empresa, seus valores e desdobrando nas suas ofertas, como executar com excelência, criando uma experiência memorável, expandindo o modelo e pensando em sua contrapartida social.

segunda-feira, setembro 12, 2016

A Experiência Fluída

A disputa pelo consumidor nunca foi tão acirrada. A briga que nasceu dentro das lojas, passou para o digital e hoje, por meio da omni-integração, está em todo momento e em cada lugar onde o consumidor estiver. Queremos encantá-lo, fidelizá-lo, conquistá-lo a cada momento da verdade.

O consumidor mudou seus hábitos e exige que diferentes mercados se atualizem. Desde que a tecnologia entrou de forma decisiva como um facilitador de acesso, de comparação de preços e de compartilhamento de experiências, criar um diferencial na oferta passou a ser um desafio constante em todos os pontos de relacionamento.

A mudança nas atitudes e nos valores dos consumidores estimulam o surgimento de novos modelos. Os Millennials, sempre eles, não estão tão preocupados em possuir algo em seu nome, em ter a posse do produto e sim com a necessidade crescente de ter uma boa experiência.

Aqueles modelos que ficam presos ao passado e repetem o mantra que “sempre funcionou assim”, correm o sério risco de encurtar o ciclo de vida de seu negócio e ser atropelado por um aluno de alguma universidade que pensou em uma solução matadora (literalmente), deixando seu negócio com um ar ultrapassado.

Experiência passa a ser palavra-chave para a diferenciação, atração e manutenção da competitividade do seu negócio. Porém, a estratégia de criar uma “experiência de compra” pode se tornar apenas uma expressão desgastada se não refletir a essência e o propósito da marca/empresa. A experiência precisa ser fluída, isto é, sem barreiras, sem necessidade de maiores explicações. Uma experiência fluída é integrada ao seu propósito e ao valores da empresa e não é colocada de maneira gratuita dentro do seu processo de compra e relacionamento.

Quando a Reserva, uma das marcas brasileira de maior expressão junto aos jovens, coloca dentro de algumas de suas lojas serviço de barbearia, na verdade está traduzindo de maneira natural, seu entendimento sobre seu consumidor, sobre o que ele valoriza como imagem e experiência de compra. Está criando uma experiência fluída.


Para quem não é o público da Reserva, isso é apenas uma modernosa cadeira de barbeiro dentro da loja. Ao analisarmos a forte personalidade que a marca tem, ela não vai perder muito tempo tentando explicar do contrário. Ou você entende e percebe valor nesta experiência ou você não é o público da loja. Simples assim.

Para algumas marcas o desenvolvimento deste tipo de experiência é natural. Para outras é necessário um auxílio externo. A Amtrak contratou a consultoria IDEO para repensar a experiência de sua rota de trem entre Boston e Washington D.C.. Em um primeiro momento, quando pensamos em melhorar a experiência de uma viagem de trem, pensamos imediatamente em melhorias no vagão, no serviço de cabine ou nas refeições. Esse foi o primeiro instinto que a Amtrak havia pensado. Porém, a experiência fluída deve ser pensada do “berço ao túmulo” (tradução livre para expressão em inglês “Cradle to Grave”).

A proposta de revisão de experiência da viagem de trem, identificou dez etapas, sendo que apenas uma delas ocorria dentro do vagão. As outras etapas que fazem parte da experiência do “berço ao túmulo” ocorriam na compra das passagens, ao fazer o check-in, na operação de embarque e ao retirar as bagagens. No final do projeto foi repensado o layout das estações, o processo de compra dos bilhetes, a forma de embarcar e claro, a experiência dentro do vagão, que se fosse pensada de forma isolada, de pouco serviria para traduzir a experiência fluída.

Quando desenvolvemos nossa metodologia em nossos clientes, estimulamos o pensamento completo. Desde o primeiro momento (do berço) até o último contato que o consumidor tem com a marca, produto ou serviço. A profundidade da aplicação da metodologia varia de acordo com maturidade de cada negócio.

Iniciamos a partir da análise do consumidor e do negócio, explorando a proposta de valor da marca e as oportunidades não atendidas ou subdesenvolvidas. Na sequência, aplicamos o fluxo da experiência, uma ferramenta que estimula a geração de diferentes iniciativas com diferentes complexidades e níveis de envolvimento do consumidor. Como resultado deste etapa, desenvolvemos o mapa de experiências, onde validamos, identificamos os riscos e priorizamos as experiências para serem testadas em pilotos. Ainda nesta etapa revisamos e identificamos os (novos) processos necessários para aplicação das novas propostas. Com a validação da iniciativa, é realizada a avaliação de expansão das iniciativas de acordo com o modelo de negócio de cada operação.

Nessa metodologia, a fluidez é a regra básica para o desenvolvimento e aplicação de novas experiências no negócio. O consumidor deve sentir que a experiência interaja naturalmente com sua vida e faça sentido na sua relação com a marca. Sem uma ”Experiência Fluida” você corre o risco de colocar apenas uma cadeira de barbeiro no meio da sua loja.

quinta-feira, agosto 04, 2016

Saindo da mesmice: diferenciando seu varejo da concorrência

O varejo moderno brasileiro está cada vez mais amadurecendo suas estratégias. Inovação em processos e gestão, análise do comportamento do consumidor dentro e fora de suas lojas visando a fidelização, a busca constante de aumento de produtividade e conversão de vendas, são assuntos recorrentes. Quando conversamos com executivos e empresários responsáveis por operações de diferentes portes, um ponto em comum foi identificado em suas estratégias: a diferenciação e a criação de valor em mercados commoditizados.

O consumidor atual está em busca de algo além do produto. Busca por soluções, conveniência e experiência. O varejo, por sua vez, deve fugir da oferta tangível e da guerra improdutiva do preço mais baixo.

A estratégia de diferenciação e de criação de valor, passa por uma revisão estratégica do negócio. Não basta comunicar, tem que executar de maneira consistente. A consistência, por sua vez, só é possível quando a proposta de valor reflete de maneira clara os benefícios que o negócio entrega ao cliente. O conjunto de produtos e serviços , tem uma função a cumprir: devem ajudar a solucionar problemas do consumidor. Essa revisão passa, inclusive, pelo desenvolvimento de parcerias estratégicas, seja com novos fornecedores como também em soluções de sistemas e pelo treinamento e capacitação de seus colaboradores.

Durante o próximo LATAM Retail Show, irei conduzir o painel “Saindo da mesmice: diferenciando seu varejo da concorrência” com executivos responsáveis por três operações com estruturas distintas - uma operação nacional, outro regional e uma operação com somente uma loja, porém com excelência na revisão de seus posicionamentos e na criação de valor em produtos em segmentos cada vez mais commoditizados.


AMPM
As lojas AMPM cumprem com um papel estratégico para os Postos Ipiranga. A loja de conveniência que durante anos era um ponto quase que exclusivo para comprar bebidas e tabaco, passou gradativamente por uma transformação, conjugando a conveniência com a ampliação de serviços oferecidos no posto. Ninguém tem prazer em parar em um posto de combustíveis para abastecer. Se a oferta do negócio for somente de combustível, obviamente o consumidor irá buscar pelo menor preço. Com a reformulação da AMPM o negócio mudou de foco. O posto oferece uma diversificação de serviços que vai desde padaria, produtos prontos e frescos (FLV), experiências de compra (como a Beer Cave) até no cuidado com um atendimento diferenciado. Mais do que um posto de combustível, os Postos Ipiranga se tornaram postos de serviço com o fortalecimento da AMPM e a loja de conveniência cumpre um papel primordial dentro da estratégia do “Pergunta-la no Posto Ipiranga”. 

Hortifruti
A rede de produtos frescos e saudáveis, conta com uma operação restrita aos estados do Rio de Janeiro, Espirito Santo e recentemente com a aquisição do Natural da Terra, expandiu sua atuação em São Paulo. A rede conseguiu traduzir de maneira clara sua proposta de valor em toda a cadeia – fornecedor, cliente, colaborador e acionistas. Traduzindo ao cliente que seus produtos são muito mais que commodities que poderiam ser comprados em uma feira livre. A estratégia inicia por um planejamento detalhado de todo o processo, controle e disciplina na execução e motivação e capacitação de sua equipe.

São Sebastião
Mesmo só tendo uma loja no interior do Rio de Janeiro, Sr Geraldo Aniceto conseguiu desenvolver seu negócio de maneira estratégica e bem pensada. A partir do entendimento do shopper, desenvolveu desde o gerenciamento de categorias, até soluções para dentro a loja, focando na experiência do consumidor. "O São Sebastião não vende produtos, vende soluções de compra para o shopper."

A riqueza deste painel está nas diferentes experiências e visões de cada um dos executivos sobre o mesmo ponto: como saio da mesmice e crio valor para meu negócio, independente do tamanho da minha operação.



sexta-feira, julho 29, 2016

Campanha AVON - inclusão, representatividade e poder

A nova campanha da AVON é certeira.
Fala sobre inclusão, representatividade e poder.
Nos comentários do post no Facebook da marca, vocês irão perceber a forte identificação de um público que muitas das vezes não se enxergava na comunicação tradicional da marca (além da venda dos produtos pelo canal digital, complementando o da revendedora).

quarta-feira, julho 13, 2016

Filmes Olímpicos - Rio 2016

Faltam poucas semanas para o início dos Jogos Olimpicos no Rio de Janeiro, e à despeito de todas as polêmicas envolvendo a organização dos Jogos, as campanhas publicitárias dos patrocinadores globais já começam a ser veiculadas tanto na TV como no digital.
Emoção dá o tom na maioria das campanhas, todas buscando sempre seu ponto de vista único - o que nem sempre conseguem.


Façam o teste: assistam as campanhas e me digam quais as 3 que ficaram na sua cabeça (lembrando o filme + marca).

Este post será atualizado à medida que as campanhas forem sendo divulgadas:


P&G com sua já tradicional e linda campanha colocando a gratidão dos atletas com aquelas que deram grande suporte: suas mães.



Always, também da P&G, reforçando a confiança das meninas para ser tornarem campeãs.



Gillette, mais uma marca da P&G, com nosso Neymar, Ning Zetao, Ashhton Eaton e Andy Tennant. Todos devidamente lisos e barbeados : )



McDonald's tirou o foco dos atletas e mirou a atençano na oportunidade de novas amizades das crianças de todo o mundo, com o simpático "Oi amigo, tudo bem?"




A Coca Cola aproxima a sensação de ganhar um ouro olímpico das sensações que sentimos quando bebemos o refrigerante. Com uma visão mais cética, eu diria que é mais uma sensação que a marca provoca do que a experiência com o produto em si...



Powerade, o único desta lista a reforçar algum benefício de produto dentro do tema Olímpico.



Omega, é a única marca que aparece nas arenas olímpicas, tem a campanha com seus embaixadores Michael Phelps, Chad Le Clos, Jessica Ennis-Hill e Sergio Garcia.



A campanha da BBC, apesar de não ser patrocinadora do evento, causou uma boa polêmica quando fugiu das imagens clichês de superação dos atletas e reforçou uma visão esteriotipada de selva do Brasil. Podemos não nos exergar assim, mas os ingleses estão certos: isso aqui é uma selva! ; )



quarta-feira, junho 29, 2016

Acesse, Colabore, Compartilhe! Viva a Nova Economia!

As grandes revoluções acontecem quando elas alteram a nossa rotina e não nos damos conta de como conseguíamos fazer aquilo de outra forma. O poder de acesso que todos nós conquistamos quando nos tornamos conectados 24 horas por dia, através de nossos smartphones, está permitindo o desenvolvimento de novos modelos de negócios baseados no “peer-to-peer”, ou no contato direto entre quem oferece e quem quer um produto ou serviço.
A economia colaborativa ou compartilhada, ou qualquer outro nome que você entenda ser mais apropriado, está promovendo esta enorme mudança nas relações de consumo em todo o mundo e em diversos segmentos.
Entretenimento, transporte, hospedagem e o próprio varejo foram os primeiros setores a serem impactados. Os grandes expoentes dessa nova economia são empresas como o Uber, Spotify e Airbnb, mas não fica restrito à elas. Estima-se que este mercado já movimente cerca de U$15 bilhões e que em 2025 este volume cheguará à U$335 bilhões.
A Airbnb, maior empresa de aluguéis de temporada do mundo, hospedou 155 milhões de pessoas ao redor do planeta, um número 22% superior a tradicional rede de hotéis Hilton. Seu fundador, Joe Gebbia, reforça que ”quanto mais pessoas utilizam o serviço e registram sua experiência na rede, mais valiosa e qualificada a comunidade se torna”.
Isso evidencia um dos pilares da economia colaborativa:
Confiança
Confiamos na opinião de pessoas que não conhecemos, confiamos em nos hospedar em casas de pessoas que nunca vimos e entramos no carro de um estranho para ele nos levar ao nosso destino. Estranhos? Nem tanto. As avaliações daqueles que utilizaram os serviços são fundamentais para o fortalecimento e crescimento da economia colaborativa.
A busca pela conveniência, pela melhor relação custo-benefício e o senso de comunidade, completam os pilares desta revolução que é impulsionada pela facilidade de acesso e de escala permitida pela conexão mobile.
Fim dos intermediários
Quando foi a última vez que você ligou para uma cooperativa de taxi para fazer uma corrida?
Quando o acesso ao que se deseja fica facilitado, os intermediários ficam sob questionamento. Agências de turismo, revendedoras de produtos de beleza, locadoras de automóveis... O corretor de imóveis tem menos informações sobre o imóvel dos meus sonhos que eu!
Será que ainda terá sentido existir intermediários que não gerem valor no seu serviço em um mundo cada vez mais rápido, acessível e conveniente?
Sai da minha frente que eu vou passar! 
A questão da Posse é colocada em cheque.
A mudança nas atitudes e nos valores dos consumidores, impulsionam esse novo modelo. Os Millennials, sempre eles, não estão tão preocupados em possuir algo em seu nome e sim, com a necessidade crescente de ter uma boa experiência.
Dois exemplos ilustram o dilema da POSSE neste momento:
No Spotify, onde você paga uma mensalidade fixa para ouvir “qualquer música”, a cantora Adele, disponibilizou apenas uma música do seu último trabalho. A alegação da cantora foi que serviços de streaming tornam o consumo da música mais descartável. Ela não deixa de ter razão, mas isso é ruim? Para que eu preciso comprar uma música, ter ela para só mim, se eu posso ouvir quando eu tiver vontade, em qualquer lugar? Eu não preciso ser dono da música, não preciso ter LP’s, CD’s ou mp3 para ouvi-la e apreciar a artista e sua música. Os serviços de streaming, como Spotify, se tornaram grandes facilitadores, ou em outras palavras, são canais de acesso para ouvir sua música preferida, conhecer novos artistas, além de estimular o senso de comunidade através das preferências musicais dos seus amigos. 
Outro exemplo vem da Alemanha, onde a BMW entendeu que os Millennials não estão muito preocupados em ter um carro, mas ainda tem problemas de mobilidade. A solução encontrada foi desenvolver o DriveNow, modelo de aluguel de carros por hora baseado no Zipcar. Em suma, a partir de um simples cadastro, com as devidas obrigações legais, o cliente identifica a partir do aplicativo, onde está um dos modelos da BMW disponível na rua, faz a reserva por hora de uso. Ao aproximar seu cartão de identificação, o motorista entra na BMW e sai dirigindo. Simples e fácil. Combustível e seguro já incluídos na taxa. Praticamente um test drive pago, onde o cliente usa uma BMW, gasta pouco e tem uma experiência com a marca. Infelizmente esse serviço ainda é restrito à Alemanha e poucos países europeus. Porém a empresa aposta que, quando esse Millennial tiver condições financeiras e desejo por um carro de luxo, com certeza irá considerar a BMW. A marca alemã é uma das grandes corporações que entenderam que mesmo empresas conservadoras e cuidadosas com sua marca, devem se aproximar do consumidor através da experiência colaborativa.
Impacto no varejo
Como os consumidores estão cada vez mais valorizando a experiência em detrimento à posse, o varejo tem a oportunidade de se tornar também um fornecedor de experiências que podem acontecer não só dentro de suas lojas mas em todas as oportunidades de contato com seu consumidor – isto é em qualquer lugar e momento. 
A recessão que estamos vivendo hoje no Brasil estimula o fortalecimento da economia colaborativa no varejo. O consumidor brasileiro está cada vez mais atrás de conveniência nas suas relações de consumo, já conta com uma grande facilidade de acesso e, mais do que nunca, procura por uma boa oferta, onde o “menos é mais”. Cenário semelhante aconteceu no mercado americano onde, depois da crise de 2008, 78% dos consumidores passaram a acreditar que este modelo de negócio diminui o desperdício.
A rede Ibis Budget do grupo Accor, de olho no perfil de clientes das Olimpíadas, passou a oferecer em uma das suas unidades do Centro do Rio de Janeiro, quartos compartilhados para 8 hospedes por R$49,00 cada cama. Uma redução de 51% do valor padrão da tarifa. Um belo exemplo de repensar seu negócio a partir da necessidade e do perfil de seus hóspedes.
Diferentes propostas de unir os consumidores para boas oportunidades surgiram nos últimos anos:
Yerdle - promove a troca de produtos entre as pessoas, similar ao Enjooei aqui no Brasil
Spinlister – consumidores são estimulados a alugar bicicletas, esquis, pranchas de surf e equipamentos de esportes diretamente para outros consumidores (Decathlon que se cuide!)
Kidizen – pais compram e vendem produtos infantis como roupas, brinquedos, sapatos (que muitas das vezes nem são usados pelas crianças)
Rocksbox – clube de aluguel de de jóias.
A iniciativa mais completa envolvendo economia colaborativa no varejo brasileiro é o House of All. O local reúne o House of Work, um coworking; House of Food, para as pessoas se juntarem para cozinhar e comer; House of Learning, para estimular o aprendizado; e a House of Bubbles, um bar-lavanderia, onde funciona a Roupateca, uma espécie de “Netflix para roupas”, onde o cliente paga uma mensalidade e pode utilizar as roupas disponíveis na casa.
Os desafios
Como todo novo movimento de consumo, a economia colaborativa tem seus desafios a serem superados. Em diversos mercados já estão evoluindo a discussão da regulamentação destas ofertas, da questão tributária e da própria relação trabalhista: motoristas do Uber podem ser considerados funcionários do aplicativo?
A qualidade tanto do serviço prestado como do produto transacionado é questão chave nesse modelo. Quem anda muito de Uber sabe que, apesar da água e da oferta de balas, não é todo motorista que presta o melhor dos serviços. Muitos são “neo-motoristas” não conhecem os melhores caminhos mesmo com o suporte do Waze.

O fortalecimento da economia colaborativa é um passo adiante está sendo dado e uma coisa é certa: não retrocederemos. Ou as empresas e marcas se adaptam a esta nova realidade ou o mercado fará um “update forçado no seu sistema operacional”, decretando a sua morte.


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