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domingo, junho 09, 2019

100metros rasos do delivery: a disputa por quem entrega mais rápido no varejo



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100metros rasos do delivery: a disputa por quem entrega mais rápido no varejo

Durante anos a conveniência das compras digitais esbarrava no tempo e no custo de entrega das mercadorias. O desafio passou a ser: como entregar mais rápido e com o menor custo?
Ao mesmo tempo, as lojas físicas passaram a sofrer com o crescimento e fortalecimento das soluções digitais e nos múltiplos pontos de contato que foram criados para atender as novas demandas dos consumidores. Reinventar o papel da loja física passou a ser chave para quem busca por ter sucesso no Novo Varejo.
A Amazon sempre teve como uma de suas fortalezas a agilidade na entrega. De 2015, quando o tempo médio era de quase 6 dias, para 2018 o prazo caiu para praticamente a metade, chegando ao agressivos 3 dias para realizar a entrega.


Para os clientes Prime Amazon, aqueles que pagam U$120/ano para terem uma série de benefícios, o prazo é ainda mais baixo e chega a dois dias, sem custo adicional para o cliente. Com um investimento declarado de U$800 milhões em centros de distribuição, a Amazon oferece ainda aos seus clientes Prime a entrega em um dia e em alguns casos gratuitamente.



Em visita recente ao Whole Foods Market na Florida, ficou claro o impacto que a Amazon está causando na operação do conceituado varejista de alimentos naturais, orgânicos e frescos. Por toda loja havia sinalização ostensiva para os clientes aderirem ao programa Prime e receber suas compras em até 2 horas. Para o varejo alimentar essa rapidez de entrega é definitivamente um forte diferencial.



 



Poucas empresas podem desafiar esse modelo de sucesso da Amazon. O maior varejista do mundo, o WalMart construiu sua reputação de sucesso a partir da capilaridade de suas lojas físicas. Considerando os diferentes formatos e modelos de loja o WalMart chega a mais de 4.700 lojas. Na média o americano percorre no máximo 16 km até encontrar uma loja. Sem dúvida uma potencia de capilaridade.
Para entrar de vez nessa corrida para agilizar suas entregas, o WalMart anunciou que vai entregar seus 220.000 itens, de fraldas à bateriais, em até 1 dia, gratuitamente, nas compras a partir de U$35,00. Não precisa ser associado, nem pagar mensalidade. A iniciativa foi lançada em Las Vegas e Phoenix, mas a promessa é que a entrega gratuita em um dia chegue a 75% da população americana até o final desse ano.

Esse é um movimento importante da empresa que vem correndo atrás a Amazon no que diz respeito a digitalização de suas operações e no desenvolvimento de soluções convenientes aos seus clientes.

A Target, outro gigante do mercado americano, investiu U$7 bilhões em 2017 para repensar seu negócio e suas lojas. No ano passado 3 de cada 4 compras do digital saíram do estoque de suas lojas. Ganhando assim em agilidade de entrega e minimizando os custos da última milha, um desafio constante para operadores digitais.  Para seus clientes REDCard, que pagam anuidade ou para aqueles clientes que gastam U$35 dólares, também foi lançado o benefício de 2 dias de entrega gratuitamente.

No Brasil estamos acompanhando o crescimento do Rappi como solução “terceirizada” de entregas. O Carrefour Brasil expandiu sua parceria com a empresa colombiana e prevê que até o final do ano eles sejam responsáveis por até 30% do total de vendas on line. O varejista irá abrir 15 estoques exclusivamente dedicados ao ecommerce dentro dos hipermercados da rede, as chamadas “sidestores”, como forma de repensar suas lojas e agilizar a entrega.

Já o Pão de Açucar decidiu incorporar a solução ao comprar a startup de entregas James Delivery. Dessa forma, a empresa ganhou rapidez e agilidade de implementação da estratégia de delivery de alimentos. Da mesma forma que as lojas do Whole Foods estão repletas de comunicação do Prime, as lojas de São Paulo estão tomadas de James por todos os lados. 

O Foodservice, setor mais maduro no serviço de entregas, está em franco desenvolvimento e diversificação de modelos de entrega. O Outback, por exemplo, está dando o primeiro passo com o iFood, para realizar a entrega de maior parte de seu cardápio. A experiência já apresenta um crescimento de 10% no faturamento das lojas que contam com essa iniciativa, atingindo principalmente aqueles clientes que não iriam se deslocar até o restaurante. A ideia do Outback é evoluir para uma operação de delivery própria por meio do Delivery Center que a empresa tem participação. 
E como se não bastasse a concorrência nacional, o Alibaba anunciou o AliExpress Premium Shipping para o mercado brasileiro, que deve fazer o tempo de entregas cair para entre 22 e 28 dias.
As encomendas do serviço Premium serão rastreáveis e, segundo a empresa, proporcionará aos usuários economia de até 59% no custo de envio. 

A corrida está aberta. Seja em mercados maduros como o americano, ou em amplo desenvolvimento como o brasileiro, com soluções internas, parcerias ou via startups especializadas. A conveniência é ponto fundamental no varejo e a garantia de serviço de qualidade um diferencial fortíssimo, com um enorme desafio de faze-los com custos adequados.
A transformação do varejo está passando por de trás do balcão das nossas lojas. Quem ganha essa corrida de 100 metros do delivery? O cliente.

quinta-feira, agosto 04, 2016

Saindo da mesmice: diferenciando seu varejo da concorrência

O varejo moderno brasileiro está cada vez mais amadurecendo suas estratégias. Inovação em processos e gestão, análise do comportamento do consumidor dentro e fora de suas lojas visando a fidelização, a busca constante de aumento de produtividade e conversão de vendas, são assuntos recorrentes. Quando conversamos com executivos e empresários responsáveis por operações de diferentes portes, um ponto em comum foi identificado em suas estratégias: a diferenciação e a criação de valor em mercados commoditizados.

O consumidor atual está em busca de algo além do produto. Busca por soluções, conveniência e experiência. O varejo, por sua vez, deve fugir da oferta tangível e da guerra improdutiva do preço mais baixo.

A estratégia de diferenciação e de criação de valor, passa por uma revisão estratégica do negócio. Não basta comunicar, tem que executar de maneira consistente. A consistência, por sua vez, só é possível quando a proposta de valor reflete de maneira clara os benefícios que o negócio entrega ao cliente. O conjunto de produtos e serviços , tem uma função a cumprir: devem ajudar a solucionar problemas do consumidor. Essa revisão passa, inclusive, pelo desenvolvimento de parcerias estratégicas, seja com novos fornecedores como também em soluções de sistemas e pelo treinamento e capacitação de seus colaboradores.

Durante o próximo LATAM Retail Show, irei conduzir o painel “Saindo da mesmice: diferenciando seu varejo da concorrência” com executivos responsáveis por três operações com estruturas distintas - uma operação nacional, outro regional e uma operação com somente uma loja, porém com excelência na revisão de seus posicionamentos e na criação de valor em produtos em segmentos cada vez mais commoditizados.


AMPM
As lojas AMPM cumprem com um papel estratégico para os Postos Ipiranga. A loja de conveniência que durante anos era um ponto quase que exclusivo para comprar bebidas e tabaco, passou gradativamente por uma transformação, conjugando a conveniência com a ampliação de serviços oferecidos no posto. Ninguém tem prazer em parar em um posto de combustíveis para abastecer. Se a oferta do negócio for somente de combustível, obviamente o consumidor irá buscar pelo menor preço. Com a reformulação da AMPM o negócio mudou de foco. O posto oferece uma diversificação de serviços que vai desde padaria, produtos prontos e frescos (FLV), experiências de compra (como a Beer Cave) até no cuidado com um atendimento diferenciado. Mais do que um posto de combustível, os Postos Ipiranga se tornaram postos de serviço com o fortalecimento da AMPM e a loja de conveniência cumpre um papel primordial dentro da estratégia do “Pergunta-la no Posto Ipiranga”. 

Hortifruti
A rede de produtos frescos e saudáveis, conta com uma operação restrita aos estados do Rio de Janeiro, Espirito Santo e recentemente com a aquisição do Natural da Terra, expandiu sua atuação em São Paulo. A rede conseguiu traduzir de maneira clara sua proposta de valor em toda a cadeia – fornecedor, cliente, colaborador e acionistas. Traduzindo ao cliente que seus produtos são muito mais que commodities que poderiam ser comprados em uma feira livre. A estratégia inicia por um planejamento detalhado de todo o processo, controle e disciplina na execução e motivação e capacitação de sua equipe.

São Sebastião
Mesmo só tendo uma loja no interior do Rio de Janeiro, Sr Geraldo Aniceto conseguiu desenvolver seu negócio de maneira estratégica e bem pensada. A partir do entendimento do shopper, desenvolveu desde o gerenciamento de categorias, até soluções para dentro a loja, focando na experiência do consumidor. "O São Sebastião não vende produtos, vende soluções de compra para o shopper."

A riqueza deste painel está nas diferentes experiências e visões de cada um dos executivos sobre o mesmo ponto: como saio da mesmice e crio valor para meu negócio, independente do tamanho da minha operação.



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