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segunda-feira, novembro 06, 2017

Os postos de combustíveis acabaram. Viva os centros de conveniência!

Um ano atrás, quando estive na NAC’s Show em Atlanta (EUA) – maior evento de postos de combustíveis e lojas de conveniência do mundo –, durante uma palestra só para convidados, Salim Ismail, Fundador e Diretor da Singularity University, apresentou o impacto das inovações nos modelos de negócio atuais.
O exemplo que deixou toda audiência de cabelo em pé foi o relato de sua experiência em cruzar de sul a norte dos Estados Unidos com seu carro elétrico, sem parar em um posto de combustível, decretando o fim dos postos de combustíveis. A verdade é que, apesar do susto dado na plateia brasileira, essa realidade de carros elétricos ainda está um pouco distante de nós, brasileiros. A realidade no Brasil e no mundo é que os postos de combustíveis como conhecíamos, já acabou. Ou melhor, se transformou.
Aqueles postos de combustíveis onde parávamos para abastecer, num lugar sujo, com poucas opções de bombas, muitas das vezes com iluminação inadequada, que torcíamos para abastecer o mais rápido possível, pois não era seguro ficar muito tempo parado, isso acabou.
Assim como os donos de empreendimentos que ainda estão focados em vender somente combustível, que tem pouquíssima diferenciação, em um único formato com margens cada vez menores, estão fadados ao fracasso.
Um posto de combustível brasileiro onde o frentista mal olha para o cliente, que verifica o nível de água e óleo com má vontade ou reclama para “jogar uma água nos vidros”, está ultrapassado.
O que acabou com o posto de combustível tradicional não foi a tecnologia ou um aplicativo, não foi o carro elétrico e nem uma outra inovação extraordinária. O fator fundamental para a mudança de proposta do posto de combustível foi o consumidor.
O consumidor moderno está, acima de tudo, em busca de conveniência e de uma experiência de compra memorável. A conveniência pode vir através da tecnologia, da ampliação da oferta, da variedade de serviços e soluções ou de um bom e diferenciado atendimento.
A oferta integrada que a Ipiranga tem desenvolvido nos últimos anos mostra o caminho estratégico dado pela empresa brasileira. Com uma ampla capilaridade com cerca de 3.000 postos, qualquer coisa que o cliente precisar, “Pergunta lá, no Posto Ipiranga.” A empresa se posiciona como solução para qualquer de seus problemas. O hábito de visitar uma loja de conveniência é reforçado pela ampliação de sua oferta. As lojas de conveniência, historicamente dependiam basicamente de duas categorias: bebidas e tabaco. Hoje, a rede AMPM, com aproximadamente 1.800 lojas, é uma das maiores redes de padarias no Brasil, presente em um número próximo a 500 unidades.
Essa realidade mostra que o posto de combustível está mais próximo do varejo e do food service, em especial o de comida fresca e saudável. Porém, há espaço para o crescimento, pois apenas 20% dos postos de combustíveis têm uma loja de conveniência.
O atendimento mais humano e menos automatizado e mecânico como base fundamental de diferenciação é a estratégia da Shell por trás da sua campanha de “Humanologia”. Perfeito para uma época onde o consumidor espera mais do que as perguntas básicas: “álcool ou gasolina”, “crédito ou débito”, “verifica óleo e água?”, e esperam por um atendimento mais próximo. Ao mesmo tempo, esse movimento exerce uma grande pressão sobre os custos de mão de obra e complexidade para ter equipes de pessoas qualificadas e treinadas. Nada diferente do que todo varejo conhece bem.
Nos EUA, onde não existem frentistas e o autosserviço é estimulado tanto na pista como nas lojas, a oferta de serviços do postos é ampliada, assim como a oferta de soluções em suas lojas de conveniências. Lá os postos são, na sua maioria, amplos, bem iluminados, com variedade de bombas de combustível e uma ampla oferta de conveniência.
As lojas de conveniências americanas estão enfrentando novos desafios em se manterem convenientes a partir do momento que ampliam sua oferta de food service, onde não é raro encontrar redes de fast food integradas às lojas. Um dos melhores benchmarks americanos está na forma de gestão de suas operações. Estão cada vez mais automatizadas, facilitando a padronização, reposição e controle da operação. Programas de fidelidade com desconto em combustíveis, em produtos de conveniência ou duchas para automóveis, estão bem amadurecidos.
O movimento de fortalecimento da conveniência e atendimento como direcionador estratégico das empresas de combustíveis, aproxima a categoria do mundo do varejo, ampliando sua concorrência. Carrefour Express, Pão de Açúcar Minuto, Dia%, Lojas Americanas e as farmácias, merecem um capítulo à parte sobre análise do fortalecimento da multi-conveniência. No entanto, todos esses concorrem pelo mesmo consumidor.
Recentemente, um novo entrante no segmento de multi-conveniência foi o Habibs’, que abriu seu primeiro posto de combustível em São Paulo. A iniciativa foi batizada como um “complexo de conveniência”, que une um posto de gasolina, loja de conveniência Habib’s e um restaurante Ragazzo.
Em suma, este é um segmento complexo e extremamente competitivo com concorrência ampliada, soluções diversificadas, novos entrantes, atendimento mais próximo, tecnologia suportando grande ideias e um consumidor empurrando diferentes setores para longe da sua habitual zona de conforto. Torna-se imperativo o desenvolvimento de novos formatos e testar novas ideias e conceitos, buscando a constante inovação e novas propostas de valor.
Por fim, não custa nada lembrar que o carro elétrico vem por aí…

quarta-feira, março 09, 2016

Especial Estratégia de Canais - Lojas de Proximidade

Esta é uma séria de artigos que desenvolvi envolvendo as mudanças de comportamento do consumidor que impactam na estratégia de canais. 
Separei cada post por canal. Este é sobre Lojas de Proximidade.
Amanhã será sobre Lojas de Conveniência.
 Veja todos aqui.
A busca pela conveniência, aliada ao equilíbrio do preço cobrado, está impactando diretamente as características dos canais tradicionais do varejo. Você conhece o novo atacado? Como os hipermercados estão reagindo a esse movimento? O que são as lojas de proximidade? As lojas de conveniência não são mais as mesmas e você precisa entender no que elas se transformaram. Quais as oportunidades das farmácias no novo varejo?
Lojas de Proximidade (ou de vizinhança)
As grandes empresas proprietárias de redes de hipermercado não estão paradas. Sabendo da dificuldade de mobilidade urbana, aliada à busca pela conveniência, redes como Carrefour e CBD estão investindo pesado no desenvolvimento das lojas de proximidade, ou as chamadas lojas de vizinhança. São lojas menores que um supermercado, que concorrem diretamente com a lojinha de bairro, com a vantagem de ter suas compras centralizadas e com todo o know how do grande varejo. 
Atenta a esse movimento, a rede Dia% anunciou a expansão de mais de 250 lojas e a inclusão de novos serviços como açougue, frios fatiados e pão fresco.
As lojas de proximidade têm um sortimento adequado à área de influência da loja e uma quantidade restrita de funcionários por loja, o que facilita o treinamento, melhorando o nível de serviço oferecido.
Como fica mais conveniente para o shopper encontrar o que procura, como o nível de atendimento, é melhor que um auto-serviço: o cliente se permite pagar mais por esse serviço.

quinta-feira, outubro 01, 2015

Clube de Compras de Tudo

Até pouco tempo atrás, as grandes redes supermercadistas tinham em suas hiper lojas seu carro chefe, hoje estão enfrentando uma crescente resistência do consumidor. Para quem compra atualmente com um clique, para quem está cada vez mais acostumado a receber recomendações de compra a partir do seu perfil de consumo, parece ser ilógico percorrer longos e cansativos corredores, se confundir diante do excesso de ofertas de produtos irrelevantes e uma grande perda de tempo e paciência percorrer todas as gôndolas à procura do produto perfeito.
O consumidor mudou, o caminho de compra está sendo reescrito pela tecnologia e a partir desse cenário novos formatos e propostas de loja estão sendo desenvolvidos. A conveniência que antes era restrita à alguns modelos de negócio, passa a ser exigido e desejado pelo consumidor à qualquer momento e qualquer lugar, em todas as relações de consumo. Diante desse cenário, novos formatos de loja e novos modelos de negócio ganham espaço e consideração na decisão de compra do consumidor
Novos formatos
Quando buscamos por novos exemplos de formatos de lojas físicas, as “lojas de proximidade” ganham cada vez mais força. Exemplos como o Carrefour Express, Minuto Pão de Açucar e Dia% reforçam essa tendência que envolve desde o tamanho reduzido da loja, um sortimento mais adequado às necessidades da região de influência, passando pela precificação e treinamento da equipe para levar até o consumidor a conveniência que ele exige à todo momento.
Novos Modelos de Negócio
Um modelo de negócio que abusa da informação que a tecnologia permite ter dos consumidores é o chamado Clube de Compras. O modelo básico se baseia na assinatura mensal de um produto ou serviço e o consumidor recebe, na comodidade da sua casa, soluções adequadas aos seus desejos e perfil de consumo.
Dois exemplos americanos chamaram a atenção nos últimos meses.
O irreverente Dollar Shave Club, que há pouco mais de três anos atrás era uma startup, deve faturar até o final deste ano U$140 milhões com assinaturas entre U$1,00 e U$9,00 que entrega mensalmente lâminas de barbear na casa de 2 milhões de consumidores prometendo gastar menos com suas lâminas. Um Clube de Compras que já incomada a gigante Gillette no varejo tradicional, forçando a Procter&Gamble desenvolver sua versão do clube de Gillette.



Já a Birchbox, um clube de compras de amostras de produtos de beleza e cuidados pessoais, seleciona produtos para enviar para a casa de cerca de 1 milhão de consumidoras no mundo a partir do perfil de preferências e atitudes cadastradas do seu site. A consumidora não sabe que produtos irá receber mensalmente e a campanha de comunicação enfoca o prazer de se dar um presente todos os meses a partir da assinatura. Se a consumidora gosta da amostra que recebeu pode comprar o produto também no ecommerce da Birchbox. Criada em 2010, a loja cobra a mensalidade de U$10,00 e faturou cerca de U$125 milhões ano passado e inaugurou sua primeira loja física em Nova York em julho do ano passado.
No Brasil os clubes de compras estão se popularizando. Hoje existe uma variedade grande de Clubes de Compras com mensalidades de em torno de no máximo R$100,00. Os mais conhecidos são os Clubes de Compras de cervejas artesanais e os de vinhos, que mensalmente enviam os mais diversos rótulos para sua casa de acordo com suas preferências.
Como acontece no varejo tradicional, quando um modelo parece ser uma tendência forte, novos clubes surgem para todos os gostos.
Hoje no Brasil existem Clubes de Compra de:
  • Frutas e Verduras – recebe semanalmente frutas e verduras frescas em casa
  • Arranjo de Flores
  • Cosméticos, a exemplo da Birchbox americana
  • Café Gourmet com opções de grãos ou torrados e moídos
Outros mais específicos como:
  • Com seleção de produtos veganos e “cruelty free”
  • Produtos Gluten Free (por que não?!)
  • Produtos de sexshop com cartas do Kama Sutra
  • E ainda um Clube de Compras para refrigerantes regionais como Guaraná Jesus, Moranguitto, Abacatinho, Mate Couro, Gasosa Paranaense e Sete Voltas
Não enxergo este modelo ocupando os espaços dos supermercados, nem tampouco que esta é uma receita única para qualquer segmento varejista.
No entanto, não restam dúvidas que, seja com uma loja mais próxima e adequada às necessidades dos consumidores, seja com clubes que entendem o perfil e as preferências de consumo, o consumidor continuará a empurrar a evolução do varejo. Restam aos empreendedores e gestores de negócios tradicionais perceberem que o varejo está em constante transformação e a inovação deve fazer parte da sua estratégia de sobrevivência.

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